Edição Anual - 2007

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AABF - Associação Amigo Beija Flor


Dia das crianças no Vila Acalanto

Acabo de retornar do Orfanato Vila Acalanto, onde há há 40 crianças, sendo 19 delas filhos de funcionários.

A comemoração se iniciou com uma apresentação de cantigas de roda feita pelas crianças maiores -- músicas: “A linda rosa juvenil” e Terezinha de Jesus”.

Em seguida, o voluntário Luiz Paulo alegrou-as, vestindo-se de palhaço Picatchu. Algumas crianças riram, outras, choraram.

O pátio estava enfeitado com bexigas, havia bolo de chocolate, brigadeiros, enfim, tudo que as crianças têm direito.

Uma criança, não entendendo que não enxergo, me deu um docinho e saiu correndo. Linda!

Cada padrinho entregou uma sacolinha de presentes aos seus respectivos afilhados.

Os afilhados, sentadinhos num tapete, curiosos, abriram as sacolas e começaram a brincar.

Uma parte do grupo ficou brincando com eles enquanto a outra, subiu no dormitório e vice-versa.

De acordo com as regras das freiras, para ir aos berçários, precisava tirar os sapatos e colocar uma sapatilha de pano.

No quarto 1, havia crianças de 05 a 11 meses deitadas num colchão no chão, e no o quarto 2, berços com bebês renascidos. Uma coisa que me chamou a atenção foi quando uma das freiras disse que o bebê Roberto era o xodó das Irmãs.

Fiquei sentida quando a Irmã responsável pediu a nós, os visitantes, que descessem; queria ter pego cada bebê.

Para encerrar, as crianças maiores estouraram as bexigas com euforia, e foram para os dormitórios.

Saí de lá mais pensativa do que quando fui.

O regulamento do Orfanato é parecido com o do Colégio onde cursei o 1º grau.

Foi algo prazeroso ter ido na companhia do Roberto e da Fabíola, do Tiago e da Sílvia, conversamos e rimos a bessa; já no Vila Acalanto revi a Brenda (que também acredita num mundo melhor) e, em companhia de todos, consegui realizar parte de um velho sonho: “doar um pouco de mim à pessoas menos favorecidas”.

A experiência foi bastante forte, pois, além de deparar com aqueles seres tão indefesos pelas circunstâncias, foi como se eu regressasse no tempo. Naquele tapete,
me vi em cada criança que toquei. Tive muitas de suas necessidades, como: a falta de um colo (por serem muitas crianças), a indiferença (quando as Irmãs diziam que uma determinada criança era seu xodó, e as outras, eram tratadas de forma normal), o desprezo em virtude de religião e raça, enfim, pela falta de afeto num todo... Bom, prefiro mudar de assunto. As lágrimas já começaram a escorrer, como se pudessem denunciar as lacunas que ficaram sem preencher.

Emocionei-me muito ao vir a felicidade das crianças sentadinhas num tapete, verificando o que havia de brinquedos dentro das sacolinhas. Lembro como se fosse hoje o quanto ficava ansiosa em saber o que havia dentro da tão esperada sacolinha de Natal! O momento fortíssimo foi quando a Irmã Eliane mandou as crianças subirem para os dormitórios, e a Ingrid, uma criança quietinha de apenas um ano e meio, começou a chorar, talvez pensando que todos iriam deixá-la sozinha, e quando a peguei para me despedir, percebi que se sentiu mais protegida.

Sei que ainda há muito para se fazer, mas dei o primeiro passo. Plantei a semente. De hoje em diante, quero fazer cada vez mais a diferença na vida de uma pessoa.

Quero colocar nas sacolas presentes como: esperança, amor, carinho, respeito, enfim, DOAÇÃO.

Para concluir esse meu relato, agradeço a cada um de vocês por se empenharem em fazer o BEM.

Grande abraço a todos. Boa reflexão!

Eliana Cynthia

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