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Dia das
crianças no Vila Acalanto
Acabo de retornar do
Orfanato Vila Acalanto, onde há há 40 crianças, sendo 19
delas filhos de funcionários.
A comemoração se iniciou com uma apresentação de
cantigas de roda feita pelas crianças maiores --
músicas: “A linda rosa juvenil” e Terezinha de Jesus”.
Em seguida, o voluntário Luiz Paulo alegrou-as,
vestindo-se de palhaço Picatchu. Algumas crianças riram,
outras, choraram.
O pátio estava enfeitado com bexigas, havia bolo de
chocolate, brigadeiros, enfim, tudo que as crianças têm
direito.
Uma criança, não entendendo que não enxergo, me deu um
docinho e saiu correndo. Linda!
Cada padrinho entregou uma sacolinha de presentes aos
seus respectivos afilhados.
Os afilhados, sentadinhos num tapete, curiosos, abriram
as sacolas e começaram a brincar.
Uma parte do grupo ficou brincando com eles enquanto a
outra, subiu no dormitório e vice-versa.
De acordo com as regras das freiras, para ir aos
berçários, precisava tirar os sapatos e colocar uma
sapatilha de pano.
No quarto 1, havia crianças de 05 a 11 meses deitadas
num colchão no chão, e no o quarto 2, berços com bebês
renascidos. Uma coisa que me chamou a atenção foi quando
uma das freiras disse que o bebê Roberto era o xodó das
Irmãs.
Fiquei sentida quando a Irmã responsável pediu a nós, os
visitantes, que descessem; queria ter pego cada bebê.
Para encerrar, as crianças maiores estouraram as bexigas
com euforia, e foram para os dormitórios.
Saí de lá mais pensativa do que quando fui.
O regulamento do Orfanato é parecido com o do Colégio
onde cursei o 1º grau.
Foi algo prazeroso ter ido na companhia do Roberto e da
Fabíola, do Tiago e da Sílvia, conversamos e rimos a
bessa; já no Vila Acalanto revi a Brenda (que também
acredita num mundo melhor) e, em companhia de todos,
consegui realizar parte de um velho sonho: “doar um
pouco de mim à pessoas menos favorecidas”.
A experiência foi bastante forte, pois, além de deparar
com aqueles seres tão indefesos pelas circunstâncias,
foi como se eu regressasse no tempo. Naquele tapete,
me vi em cada criança que toquei. Tive muitas de suas
necessidades, como: a falta de um colo (por serem muitas
crianças), a indiferença (quando as Irmãs diziam que uma
determinada criança era seu xodó, e as outras, eram
tratadas de forma normal), o desprezo em virtude de
religião e raça, enfim, pela falta de afeto num todo...
Bom, prefiro mudar de assunto. As lágrimas já começaram
a escorrer, como se pudessem denunciar as lacunas que
ficaram sem preencher.
Emocionei-me muito ao vir a felicidade das crianças
sentadinhas num tapete, verificando o que havia de
brinquedos dentro das sacolinhas. Lembro como se fosse
hoje o quanto ficava ansiosa em saber o que havia dentro
da tão esperada sacolinha de Natal! O momento fortíssimo
foi quando a Irmã Eliane mandou as crianças subirem para
os dormitórios, e a Ingrid, uma criança quietinha de
apenas um ano e meio, começou a chorar, talvez pensando
que todos iriam deixá-la sozinha, e quando a peguei para
me despedir, percebi que se sentiu mais protegida.
Sei que ainda há muito para se fazer, mas dei o primeiro
passo. Plantei a semente. De hoje em diante, quero fazer
cada vez mais a diferença na vida de uma pessoa.
Quero colocar nas sacolas presentes como: esperança,
amor, carinho, respeito, enfim, DOAÇÃO.
Para concluir esse meu relato, agradeço a cada um de
vocês por se empenharem em fazer o BEM.
Grande abraço a todos. Boa reflexão!
Eliana Cynthia
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